Pirataria e download: Copiar ou não copiar? Eis a Questão

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pirataria001Esta é uma questão muito interessante. O Brasil é visto internacionalmente como um país de apoio à pirataria.

A mídia vincula em comerciais de TV, DVD, programas, e outros meios propagandas antipirataria que prometem duras penas a quem vende e quem compra material falsificado.

Num rápido resumo os números da pirataria no Brasil, proveniente de vários meios:

Isso é realmente ruim para o Brasil, principalmente quando se fala em arrecadação de impostos. Mais e intelectualmente falando?

Muito se fala em exploração tributária, altos impostos, desemprego, mais ninguém se preocupa com a questão da cultura da população e do acesso à tecnologia.

Vou dar um exemplo: Todos os aparelhos de Playstation que estão no Brasil são importados. A Sony não fabrica aparelhos de videogame no País e somente agora (fim de 2009), desde que inventou o Playstation em 1995 que vai ser produzido o primeiro jogo nacional. A justificativa da empresa é de que o Brasil não era um mercado considerável. Todos os jogos que temos aqui são importados, extremamente caros até para a população de classe média e não tem nada que justifique a compra original – não tem linguagem em português brasileiro, não tem legendas e nem tem a consideração devida.

Quando o assunto é filme a coisa é pior. Baixar é crime, ver filmes divx é ilegal mais “sacanear” a população que gosta de cinema é só um detalhe comercial.

Eu sou fã do Quentin Tarantino (fã a ponto de quase ter cancelado minha viagem a trabalho para Amazônia para pegar um autógrafo dele no Odeon, na semana que ele veio ao Rio de Janeiro lançar seu filme “The Inglorious Bastards”). Tenho uma coleção de filmes dele e procuro acompanhar suas produções de perto. Tão de perto a ponto de me revoltar com a produtora Europa Filmes, que numa jogada comercial engavetou um filme do diretor chamado “À Prova de Morte”.

Eles ficaram receiosos com o fracasso de “Planeta Terror” e por isso estão com o filme, que estreiou em 2007 nos cinemas americanos, guardado aguardando que algum filme do diretor exploda em bilheteria para ser lançado como “do mesmo diretor de…”. O fã que viu o filme ou viajou para os EUA ou “baixou ilegalmente” uma cópia infringindo a lei, pois o certo seria esperar mais 1, 2 ou 10 anos para ver o filme “original”.

Senhor dos Anéis – a obra prima de Peter Jackson, recordista de prêmios da academia. Ele foi lançado nos EUA numa versão espetacular, estendida, com mais de 30 minutos importantíssimos em cada DVD. Muita coisa que parece furo de roteiro, que fica meio no ar é esclarecida nestes minutos a mais. Os personagem são bem mais desenvolvidos (Boromir e Celeborn, principalmente). Fora que os Extras englobam coisas como a entrevistas com os atores, criação dos efeitos especiais, pós-produção e detalhes da filmagem. Aqui no Brasil? Só a versão simples (mesmo a que vem com 6 DVDs). O fã que viu as cenas extras ou viajou para os EUA, importou de lá sem as legendas em português ou “baixou ilegalmente” uma cópia infringindo a lei, pois o certo seria esperar mais 7, 8 ou 10 anos para ver o filme “original” que vai vir em Blu-Ray (só pelo fato de que o Blu-Ray americando ter legendas em Português Brasileiro, mais não esperem a dublagem). Justificativa? Não é comercialmente viável.

Eu poderia ficar por diversas páginas dissertando sobre esse assunto, mais como sei que não vai adiantar muita coisa pois é somente mais um protesto solitário contra este tratamento desigual que nós recebemos, para finalizar só deixo minha opinião sobre como agir nestes casos.

Primeiro, antes de comprar alguma coisa pesquise muito sobre ela, compare com a similar importada e se o preço e a qualidade do importado for melhor (99,99% dos casos) opte por este, mesmo que vá pagar algum imposto a mais sobre a importação. Vá ao cinema, é muito melhor ver o filme no telão, mais se alguma oportunidade surgir de ver algum clássico esquecido, versão estendida, final alternativo, etc baixe sem pensar, pois esse material com certeza não vai ser trazido para o Brasil se não for “comercialmente viável” (ou seja: nunca) e por último, não vendam, e sempre doem ou emprestem seus filmes (emprestem cópias dos  seus originais pois sempre voltam riscados) pois agindo assim vocês contribuirão para o engrandecimento cultural de seus amigos.

Fiquem à vontade para comentar.

Att.

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